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Cão no apê sem confusão

19 de Maio de 2015

Publicado em Comportamento por Minha Área | Nenhum comentário

Mais que tamanho, a escolha deve considerar a personalidade do animal, a rotina da família e a disposição do dono em cumprir regras de convivência

Tamanho, raça, comportamento. Quem gosta de cachorro e pretende criar um dentro de apartamento geralmente costuma pesquisar algumas características antes de escolher. Mas será que somente as mais comuns, como o tamanho, são realmente as mais importantes? 

Confira o que levar em conta para escolher e criar da melhor forma o cão ideal para a família – e para o condomínio.

A diretora de contas Rosi Rosendo descreve com muito carinho o dia em que adotou Moreno, o cachorro sem raça definida – e grande porte – que vive com ela. “Segundo o pessoal da ONG SOS Salvacão, que o acolheu quando foi abandonado, ele teria naquele momento entre dois e três meses e já era bem grande. Perguntei o clássico: ‘vocês acham que ele vai crescer?’ Eles responderam que achavam que o animal ficaria de porte médio. Eu disse que morava em apartamento, mas na entrevista eles certificaram que para mim não seria problema se ele crescesse muito.”

Pouco tempo depois, quando chegou aos dez meses, ela teve certeza de que Moreno realmente seria de grande porte, pois já havia atingido o tamanho limite de um cão considerado de porte médio e ainda cresceria. Mas isso não a afligiu.

“No momento em que decidi ter um cachorro em apartamento, já considerei que seria necessário adestrá-lo para garantir uma convivência saudável entre nós. Mais ainda quando eu tive certeza de que ele seria um cachorro grande. Além de adestramento profissional, a minha disciplina em manter constância no treinamento foi superimportante para garantir a evolução que ele atingiu até hoje. Ele está para completar 11 meses, é adestrado desde os seis meses, mas antes disso eu ensinei para ele os comandos básicos”, conta.

Ensinando as regras para o animal

O adestramento, assim como uma rotina de passeios e brincadeiras para fazer com que o cão gaste energia, é peça-chave em muitos casos e pode ajudar a evitar problemas, especialmente se o cachorro é muito agitado ou permanece sozinho boa parte do tempo.

“Qualquer cão pode viver em apartamento, entretanto, os cuidados variam. Quanto ao porte, também não há regras, desde que o cão tenha suas necessidades supridas. Os de porte grande, como o golden retrivier e o boxer, conseguem se adaptar bem a espaços pequenos desde que tenham uma rotina de atividades. E o tamanho pode mudar, mas cada cão tem sua personalidade e, independentemente do tamanho, esta não muda facilmente. Um cão calmo provavelmente se manterá calmo depois que crescer. Se for um cão muito agitado, vale contratar um profissional que o ensine como dosar essa energia, ou até mesmo utilizar-se de serviços de creche para cães, onde este cão gastará suas energias devidamente”, explica a adestradora e comportamentalista Carol Brandão.

Papel do dono é fundamental

Hoje em dia é comum que muita gente tenha animais de estimação, o que faz com que os condomínios tenham que se adaptar e colocar para funcionar as regras relacionadas, como onde é possível andar com o cachorro. Mas é claro que, para a convivência entre cães e moradores dar certo, é preciso que os donos de cães procurem entender as regras e ajudá-los a terem suas necessidades atendidas, de forma com que estejam sempre em equilibrio.

No caso de Moreno, Rosi sempre procurou tomar atitudes no sentido de deixar o cão calmo e sem causar problemas aos vizinhos.

“Passeamos todos os dias, de manhã e à noite. Além dos passeios, reservo meia hora de manhã e meia hora à noite para brincadeiras dentro do apartamento, como buscar bolinha e outros brinquedos.”

E como o Moreno fica sozinho quase o dia todo, ela mantém as portas dos quartos e banheiros fechadas e fez com que aprendesse desde cedo a fazer as necessidades no lugar certo.

“Mas até isso exigiu adaptações, pois, no início, quando eu deixava o tapete higiênico preso ao chão com o adesivo, ele o arrancava do chão, rasgava e espalhava os pedaços. Até que eu encontrei um daqueles suportes para colocar o tapete dentro, e o problema foi resolvido.”

Ela finaliza contando que também acostumou Moreno a ficar sozinho desde pequeno. “Ele nunca chorou à noite para dormir e, durante o dia, segundo relatos dos vizinhos e funcionários do condomínio, ele praticamente não faz barulho.”

Para Carol Brandão é importante que o dono considere que a sua rotina interferirá diretamente na rotina do cão. “Portanto é de suma importância que o dono crie regras com relação ao comportamento do cão, sua socialização com outras pessoas e animais, hora de fazer atividades, controlar os latidos, dentre outras. Fora isto, o dono tem obrigação de levar em consideração as regras do condomínio para que não venha a ter problemas com os vizinhos. O aconselhável é saber se o condomínio aceita cães e de quais portes, bem como os locais de circulação permitidos, antes de fazer a compra ou a adoção.”

Para conviver sem problemas

  • Antes de decidir levar um cão para casa, procure conhecer as regras do condomínio e avaliar a sua disponibilidade – ou da família – em cuidar do animal
  • A escolha pelo comportamento é ainda mais importante do que raça ou tamanho. Um cão maior, mas com temperamento calmo, pode se adaptar melhor a certas rotinas do que um menor que seja muito agitado
  • Fazer com que o cão gaste energia, levando-o para passear diariamente, é fundamental para evitar problemas e mantê-lo calmo
  • Se for difícil criar regras sozinho, busque a ajuda de um adestrador. O investimento é válido para garantir anos de convivência saudável

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