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Cães (e vizinhos) estressados

2 de Setembro de 2015

Publicado em Comportamento por Minha Área | Nenhum comentário

Um cachorro que fica só longas horas dentro do apê pode ter distúrbios de saúde e comportamento, causando problemas

Cachorro e solidão são dois pontos que não combinam. Muitas vezes, quem adquire um cão está propenso a ter uma companhia, mas cria um problema sério quando o animal é obrigado a ficar horas sozinho no apê. Em situações assim, é normal que atitudes destrutivas, latidos excessivos e reclamações dos vizinhos comecem a aparecer. 

Cão estressado

É preciso tomar urgente uma atitude. Tanto em benefício dos vizinhos, quanto do seu amiguinho.

Para a adestradora e comportamentalista Carol Brandão, é preciso considerar que o cão que está sempre em casa adquire comportamentos como ansiedade excessiva, pânico, agressividade, depressão e incapacidade de socialização com outros animais e pessoas.

“Este cão também pode apresentar problemas de saúde, como obesidade, musculatura fraca, automutilação, dentre outros”, diz. “E, em apartamentos, o que ocorre é que o cão poderá gastar suas energias de forma errada, ou seja, através de latidos, o que prejudicará o bom convívio com os vizinhos”.

Que tipo de animal escolher

O primeiro ponto é lembrar que o cão não pediu para estar no apartamento, por isso é preciso assumir a responsabilidade e considerar que ele também precisa ter algumas necessidades resolvidas para se tornar equilibrado e não incomodar.

“Geralmente o cão apresenta esse tipo de comportamento por falta de atenção ou por falta de atividade física. O passeio ainda é a melhor forma de garantir o bem-estar, tanto na questão física quanto psicológica. Algumas raças necessitam de passeios diários e outras necessitam de menos carga de exercícios, então é preciso conhecer o cão para criar uma rotina de atividades”, esclarece Carol.

Especialistas dizem que e importante escolher bem a raça e o temperamento na hora de decidir levar um cão para casa. Segundo a veterinária Adriana Constant, as raças orientais, como Lhasa Apso e Shitzu, costumam receber testemunhos positivos devido ao comportamento mais calmo.

“Eu, inclusive, recentemente adquiri uma cadelinha da raça lhasa Apso, que é bem calminha, bem independente e raramente late. Ao contrário dos meus outros cães mais velhos (dois poodles e uma pinscher), que são muito dependentes e ansiosos”, conta.

Mas é bom não deixar de fora os vira-latas como opção. Pesquisa realizada pelo Departamento de Ciências Animais da Universidade de Aberdeen, na Escócia, chegou à conclusão de que estes animais tendem a ser mais inteligentes e também mais saudáveis do que os chamados cães de raça.

Segundo o estudo, tais qualidades se devem, em parte, ao fato de os vira-latas estarem à mercê da seleção natural, onde só os mais aptos sobrevivem, enquanto cães de raça costumam ser o resultado de anos e anos de cruzamentos planejados para manter algumas características específicas.

Passeios para gastar energia

A adestradora Carol Brandão explica que o que conta muito também é personalidade de cada cão, que não depende necessariamente da raça, por isso pode ser útil contratar um profissional que forneça uma avaliação de comportamento e trace o tipo de rotina que ele deve ter. “O que muda normalmente é o tempo e a intensidade de exercício que cada cão necessita”, diz.

Se não houver tempo para passeios diários, pode-se matricular o cachorro em uma creche para cães, contratar um dog-walker ou até adotar mais um cão para fazer companhia ao primeiro.

“Brincadeiras são ótimas auxiliares, mas não são suficientes. Se o dono realmente não tiver tempo, pode pedir auxilio a um dog-walker, mas afirmo que é superimportante para a relação dono-dominante e cão-submisso o passeio com o próprio dono. A melhor solução seria contratar um profissional durante a semana e, aos finais de semana, o dono tirar um tempinho para passear com o cão”, sugere Carol.

A veterinária Adriana Constant lembra também que é importante prestar atenção no comportamento do animal visando à identificação de outros distúrbios comportamentais e patológicos.

“O veterinário deve fazer uma avaliação e, em alguns casos, é necessários entrar com um tratamento alopático ou homeopático”, explica. O veterinário também poderá fazer uma avaliação relacionada à quantidade de exercícios físicos necessários de acordo com cada cão.

Solução criativa: ‘software de bronca’

A jornalista Andreia Brasil enfrentou problemas do tipo com o seu cachorro Anakin. “Quando o adotamos, em 2012, a família que o havia comprado já tinha me falado que ele não gostava de ficar sozinho, mas eu trabalhava como freelancer, então estava em casa praticamente o tempo todo. Logo nas primeiras vezes em que precisei sair, percebi o problema. Ele uivava demais, muito alto, e como morávamos em apartamento, tínhamos receio de receber reclamação. Várias vezes o vizinho da frente nos falou como ele latia alto e forte”, conta.

Para resolver, foi necessário seguir uma série de etapas, como passear com ele e deixá-lo cansado antes de sair ou oferecer brinquedos com petiscos dentro.
No ano passado, Andreia e o marido se mudaram para a Holanda com o cãozinho e os problemas recomeçaram.

“Foi quando meu marido, que é desenvolvedor de softwares, resolveu criar um programa que reconhece os latidos e libera vídeos dele (que é quem o Anakin respeita mais em casa) dando bronca no cão. Isso foi o que realmente funcionou. Hoje, depois de alguns meses usando o sistema, não precisamos mais. Ele já fica bem. Ainda uiva um pouco, mas nada que incomode os vizinhos”, diz.

Como lidar com a situação

  • Antes de levar um cão para casa, procure conhecer as regras do condomínio e saber se outros moradores têm cães.
  • Conhecer o perfil da raça ou a personalidade do cão é uma maneira de diminuir riscos também. Se for o caso, contrate um especialista para ajudar na tarefa.
  • Procure observar o comportamento do seu cão e converse com os vizinhos para saber se ele tem latido muito quando fica sozinho.
  • Comece a colocar exercícios físicos na rotina do seu cachorro. O ideal é levá-lo para passear diariamente, ao menos uma vez por dia.
  • Se não tiver tempo para levá-lo para passear, avalie levá-lo para uma creche de cães ou contratar um dog-walker que possa ajudá-lo a gastar energia durante a semana.
  • Brinquedos ajudam a liberar a tensão e distrair, mas em geral não costumam ser suficientes.

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